Um comentário é o melhor pagamento que um autor pode receber.
Sobre o significado do símbolo, leia o texto Castelos e Símbolos.

Terminar uma amizade não é terminar a pessoa. Algo aconteceu que não dava mais para levar a amizade em frente, algo aconteceu que não havia mais sorrisos para alimentar. Há o momento em que a dificuldade de manter está quase estourando a bolha da raiva.
Não há mais possibilidades visíveis de continuidade da troca de favores, da troca de preocupações e carinhos, da troca de segredos. A amizade se foi.
Mas, terminar uma amizade não é terminar a pessoa. Aquela amizade, que pode ter encerrada pela distância, traição, decepção, ou tudo o mais que prometemos não deixar acontecer, foi-se.
Aquela amizade, sim, diluiu; mas a pessoa não. Essa amizade foi construída com base em uma história e lembranças, em regras e direitos que cada um compôs e agregou. Fundamentado na constituição de olhares e piadas, de risos e abraços.
A melhor metáfora para representar o ser humano é uma nuvem, como disse em outro texto. As nuvens não ficam estáticas. O céu é o movimento da vida e está sempre mudando sua forma pelo vento, intensidade pelo tempo em que agregou evaporações, cor pelo tanto que absorve a luz do sol e não a deixando passar. Somos nuvens; mudamos de humor, dependendo do que passamos durante o dia, ficamos mais intensos quando agregamos mais conhecimentos, e ficamos negros quando não deixamos a luz dos problemas passar ao ponto de absorver tudo guardando tudo para si, não compartilhando com os outros – para os amigos.
Terminar uma amizade é matá-la. Não há mais volta. Mas, somos nuvens: basta um pouco de tempo que mudamos. É possível com o tempo uma amizade acabar por mudança dos membros, assim como iniciar outra amizade totalmente diferente com a mesma pessoa.
Quando iniciamos outra com a mesma pessoa, devemos deixar claro que não somos mais as mesmas pessoas como a de antes. A amizade anterior foi composta por duas pessoas totalmente diferentes das atuais, e por regras diferentes, histórias diferentes etc.
Assim, como começa-se devagar, devemos ir entregando-nos novamente. Um erro é invocar erros do passado, do pacto anterior, da amizade anterior.
Se perdeu uma amizade, deixe o tempo cultivar a tristeza. Deixe-o transformar em experiência e aprendizado que servirá de mudanças em sua personalidade. Deixe-o transformar em uma nova amizade.
E lembre-se: não deixe que um quilo de decepção seja mais pesado na relação que 10 quilos de amizade sincera. Todos somos decepcionados e o principal culpado é você! Você que é um ser humano e irá, também, decepcionar. Ou aprendemos a lidar com isso, com as decepções mútuas, ou seremos nômades solitários procurando amizades sempre em outras pessoas. E o risco é menor de desilusão em quem já se conhece.
<
Acredito que boa parte da histeria causada pela frustração que vemos nos relacionamentos de hoje, descende da nossa vontade de que tudo seja de acordo com a nossa ideia. E nossa ideia, assim como outros atributos do ser-humano, pode ser moldada por fatores externos, inclusive de filmes.
Filmes incentivam a ideia de um relacionamento fechado e ao mesmo tempo sublime. A vontade feminina de mudar o homem de sua situação [de safado para quieto, de quieto para animado, de cafajeste para ser “só dela”], onde quietos aprendem a dançar, caras sacanas ficam meigos “só por ela”, juntando com o romantismo, o perdão, o papel masculino de correr atrás da manutenção ou do início do relacionamento, e tudo o mais, impedem com que métodos de desenvolvimentos de relacionamentos alternativos aos Hollywoodanos consigam se transformar em amor.
Assistindo ao filme Embriagado de Amor e relembrando outros clássicos como Adam [em que toda a ação de conquista e papel de conduzir o relacionamento parte da ação feminina da relação] e 500 Dias com Ela, em que, como o próprio filme diz, “este não é uma história de romance”, onde invoca a noção que nem de longe romantismo, perdão, e tudo o mais dos clichês que conhecemos como “essenciais” para um relacionamento, na verdade, não são nem definitivos para a construção de um casal.
A imaturidade distribuída por filmes, histórias e casos que permitimos influenciar nossa ideia sobre o mundo torna-se tão prejudicial que atravessa nossa vida com brigas que poderiam ser resolvidas e decepções que poderiam ser evitadas. O amor, por mais inexplicável que seja, consegue mostrar um rumo para ser seguido. E um deles se trata da honestidade e o se entregar.
Amor não é filme, em que o final será sempre feliz.
Não existem almas gêmeas, existem pessoas certas. Ou seja, há pessoas mais certas e menos certas para você.
Amar é conhecer um ao outro profundamente, desde suas qualidades e defeitos, e mesmo assim, não desistir dela.
Sendo assim, amor é oposto de paixão, pois é quase um “amar” sem conhecer.
É necessário o conhecimento do outro para amar, a paixão permite a sensação de amor, mas sem o conhecer do outro.
Amor não é sentimento, amor é decisão.
Amor é ser esperto e não se deixar enganado.
Amor é ter o outro como prioridade, dentro de suas prioridades.
E, enfim, amor é ter alguém para se prender, e poder contradizer tudo o que eu disse.
<Sinto, verdadeiramente, que sou diferente dos outros homens. Minhas prioridades não são nem de longe mulheres, dinheiro, fama, sexo. Enxergo tudo isso de de forma bem distinta e clara. Aliás, em relação as outras pessoas, enxergo verdadeiramente diferente. Não como cada adolescente de merda diz que é diferente e entende alguma porcaria da vida. O sexo é uma troca de sensibilidade, e não de prazer. O dinheiro, apenas um direito para poder alcançar algo que pode ser comprado. Mulher, um ser complicado, porém, fascinante. Fama, uma maldição.
Religião, por enquanto, está sendo uma central de crenças. Livros, uma central de ideias. Paz, uma central de fé, quase inatingível.
Não há diferença entre ser alguém para agradar seu namorado ou ser alguém para agradar sua família ou alguém para agradar a sociedade. É a mesma merda: você está vivendo em função dos outros. O processo natural da maturidade, acredito, está em pensar, falar (opcional), agir. Hoje vejo o mundo concentrado apenas no falar, no opcional. Isso é entristecedor, entediante, descrente.
A felicidade só é verdadeira se compartilhada; e ela não aceita virtualização. Ela está se tornando fraca, incapaz. É incompatível com a tecnologia. A felicidade necessita de tudo que o Digital luta contra: con-tato, tocar, afetar; silêncio, paz, quietude; contemplação, reflexão, paixão.
Temos que aprender que decepcionamos os outros e a trabalhar a frustração quando formos decepcionados. Devemos buscar a honestidade, em vez da sinceridade. Devemos buscar a santidade, ser exemplo, e não a perfeição. Ser exemplo aceita passado podre, aceita rendição. Perfeição não admite erro - uma pena, o crescimento nasce do erro.
A esperança está superficializada de uma forma que enoja. O amor, nunca foi tão conceituado, e tão fantasiado - e tão falso. A religião, novamente citando, dogmatizada e idealizada A religião precisa sim da razão, tanto quanto a razão precisa da fé. Não dá para separar. São irmãs gêmeas siamesas, que nascera de costas viradas - apenas isso.
Confesso que sinto que estes pensamentos são venenosos. Eles afastam pessoas de mim, pessoas que são e praticam o que critico, pessoas que consideram a crítica um ataque - pessoas que são maioria democraticamente e numericamente esmagante no mundo.
Confesso que me sinto sozinho.
<